Flamengo enfrenta desafios no mercado de transferências
Clube lida com resistência e valores altos em negociações nacionais.
O Flamengo está passando por uma fase singular no mercado de transferências. Conhecido por ser um dos clubes mais influentes tanto financeiramente quanto esportivamente, o Rubro-negro enfrenta dificuldades tanto na venda de jogadores quanto na busca por novos reforços dentro do Brasil. Esse cenário é pautado pela resistência de outros clubes e pela inflação dos valores nas negociações.
Em relação às saídas, o Flamengo tem mantido uma postura firme. Com um elenco de qualidade e altos custos para reposição, a diretoria não tem intenção de liberar jogadores sem uma compensação financeira considerada justa. Essa postura tem sido um entrave em diversas negociações.
O volante Allan, por exemplo, despertou o interesse de São Paulo, Corinthians e Vasco, mas as conversas não avançaram pela falta de propostas que atendam aos requisitos do clube. O Flamengo exige um pagamento e a cobertura integral dos salários para emprestar o jogador.
Situações semelhantes ocorreram com Michael, que chamou a atenção do Santos, mas a negociação não progrediu devido a questões financeiras, especialmente relacionadas aos salários e à rescisão. O atacante acabou sendo transferido para o Al Ula, da Arábia Saudita.
Evertton Araújo também atraiu o interesse do Grêmio, mas o Flamengo optou por não negociar, considerando o papel essencial do volante no time. Jogadores como Luiz Araújo e Cebolinha também foram sondados por outros clubes, mas o Flamengo deixou claro que só consideraria propostas significativas.
Barreiras nas contratações nacionais
No que tange às contratações, o Flamengo também enfrenta dificuldades no mercado brasileiro. A aquisição de Vitão só ocorreu após uma complexa negociação com o Internacional, que incluiu o perdão de uma dívida de Thiago Maia e um pagamento totalizando cerca de 10 milhões de euros (R$ 62 milhões).
Outro exemplo é a tentativa por Kaio Jorge. O Flamengo ofereceu 30 milhões de euros (R$ 186 milhões), um valor recorde no Brasil, além de opções envolvendo dinheiro e jogadores. Mesmo assim, o Cruzeiro se manteve firme, exigindo 50 milhões de euros (R$ 308 milhões).
Em relação a Marcos Antônio, o Flamengo fez uma oferta ao São Paulo e discutiu alternativas que incluíam Allan, mas encontrou resistência e uma pedida acima do mercado. Sem um acordo, o clube considera retomar as negociações no segundo semestre.
Esses desafios geram um efeito cascata: a rigidez do Flamengo para vender seus jogadores contrasta com a relutância do mercado nacional em negociar com o clube, seja por medo de fortalecer um concorrente ou devido à inflação dos valores influenciada pela força financeira do Flamengo.
Alternativas no mercado europeu
Diante das adversidades no Brasil, o Flamengo tem buscado reforços no mercado europeu. Em 2026, contratou o goleiro Andrew, do Gil Vicente, por 1,5 milhão de euros (R$ 9,25 milhões), e Lucas Paquetá retornou em uma negociação histórica de 42 milhões de euros (R$ 261 milhões), a maior do futebol brasileiro.
Embora o planejamento inicial visasse reforços pontuais no mercado nacional, a realidade tem mostrado um ambiente cada vez mais difícil. Para a posição de centroavante, por exemplo, o Flamengo está de olho em Richarlison e Evanilson, ambos atuando na Premier League.
Com menos de um mês para o encerramento da janela de transferências, marcado para 3 de março, o Flamengo continua atento às oportunidades tanto no mercado brasileiro quanto internacional. No entanto, a janela atual deixou claro que os desafios internos são ainda mais complexos do que buscar jogadores fora do país.